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Politicamente correto e erro na revista Options
sklinke
Posted: Friday, November 6, 2009 3:13:43 AM
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Joined: 3/11/2009
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Uma das empresas em que trabalhei solicitou uma pesquisa para saber a forma politicamente correta de se referir a pessoas com deficiência física ou mental.

O Governo Brasileiro e outras entidades adotaram o termo "pessoas (ou indivíduos) com necessidades especiais" ou, se necessário indicar a deficiência, dizer "pessoas com deficiência auditiva, visual, etc."

E nunca se referir a "deficientes físicos ou mentais". O termo indica que a pessoa não é deficiente, mas que possui uma deficiência.

Gostaria de saber a opinião dos colegas sobre o assunto.





Em contrapartida, li uma matéria no site da Revista Época com a manchete "Como os cegos diferenciam as notas de dinheiro?"


A primeira frase diz:

"Em qualquer lugar do mundo é possível reconhecer o valor das notas de dinheiro. Seja na Índia, na China ou nos Estados Unidos, e nem precisa saber a língua nativa, nem mesmo ser alfabetizado. Só há uma exceção para essa regra: os deficientes audiovisuais."



Deficiente audiovisual? Por que "audio" no contexto?


Ahimsa
Posted: Friday, November 6, 2009 8:38:50 AM
Rank: Advanced Member

Joined: 3/19/2009
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Location: Lisboa (Portugal)
Olá Sky,

Apesar de não ser colega (tradutora) eis a minha colherada:

Já ouvi amplamente o uso de "pessoas portadoras de deficiência" e "pessoas com necessidades especiais".

O problema, pelo menos para mim, com a linguagem politicamente correcta é que, por vezes, o eufemismo acaba por ser igualmente preconceituoso e acusador. Não vos parece? O que é ter uma necessidade especial?!

-

No que respeita ao artigo de jornal, parece-me um lapso.
Em Portugal, ouvi referirem-se aos cegos, nos meios de comunicação social, por "invisuais".
Gil
Posted: Monday, November 9, 2009 6:59:11 PM
Rank: Advanced Member

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1. Ser deficiente e possuir uma deficiência? Pelamordedeus. Assim, puramente, até se justifica. Mas quando se vai para a prática, bom.... Me digam, por favor, qual a diferença entre "ser deficiente visual" e "possuir uma deficiência visual"? Nenhuma, arrisco. Necessidade especial, por seu turno,... tsc. Concordo com Ahimsa.


2. Mais. Não consigo ver - com trocadilho por favor - onde "cego" ou "surdo" ou "mudo" possam ser palavras preconceituosas ou "políticamente incorretas". Fazer uso de uma palavra atribuindo-lhe conotação depreciativa é uma coisa, a meu ver (...). Mas o sentido original da palavra não se perdeu com o tempo. Cego é aquele que tem deficiência visual, surdo é aquele que tem deficiência auditiva, etc.

3. Quanto ao deficiente "audiovisual", deve ser erro mesmo.
sklinke
Posted: Monday, November 16, 2009 12:38:02 AM
Rank: Advanced Member

Joined: 3/11/2009
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Concordo com vocês. A questão do "politicamente correto" veio com a tradução.

Quartos de hotéis tinham a denominação de "disabled rooms" e, de um dia para o outro, resolveram mudar para "acessible rooms" (quartos com acesso para cadeira de rodas).

Imaginem no português se a tradução fosse literal: quartos acessíveis!

Às vezes, a objetividade é o melhor caminho. Pois o politicamente correto acaba sendo mais incorreto do que qualquer outra coisa.

Fico curiosa em saber se você já observou isso em textos legais, Gil.
Gil
Posted: Wednesday, November 18, 2009 7:10:13 PM
Rank: Advanced Member

Joined: 3/13/2009
Posts: 77
Neurons: 313
sklinke wrote:
Fico curiosa em saber se você já observou isso em textos legais, Gil.


Já. "Evoluíram" dos cegos, surdos e mudos para as "pessoas portadoras de deficiências". Mas os códigos mantém a denominação "políticamente incorreta", porque precisam ser especificadas as "deficiências":

Código Civil Brasileiro, atualizado em 11 de novembro de 2009:

Art. 228. Não podem ser admitidos como testemunhas:

I - os menores de dezesseis anos;
II - aqueles que, por enfermidade ou retardamento mental, não tiverem discernimento para a prática dos atos da
vida civil;
III - os cegos e surdos, quando a ciência do fato que se quer provar dependa dos sentidos que lhes faltam;


*O destaque no número I é uma brincadeira...

Quanto à Constituição Federal, todavia, está consagrado o uso de "portadores de deficiência", já que abrangidas todas as deficiências identificadas legalmente.

Já a mudança de "disabled rooms" para "acessible rooms", hum, se me perdoa o palpite, achei que ficou mais simpático. Ressalto que apesar de ter estudado Inglês por longos anos na infância (Americano e Britânico), estou afastado/não pratico há muito tempo (só em forums variados pela rede, mas aí não vale né) - dito isto, me parece que neste caso se deslocou o foco da restrição da pessoa para a adequação específica de um objeto, diferentemente de cegos, surdos e mudos X pessoas portadoras de deficiências. Deu pra entender? Anxious
sklinke
Posted: Tuesday, December 1, 2009 12:18:08 AM
Rank: Advanced Member

Joined: 3/11/2009
Posts: 345
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Grata pelas informações!

Confesso que não tinha pensado pelo lado da comparação objeto x pessoa. Faz mesmo sentido a mudança dos termos. No entanto, a tradução para "quarto acessível" ficou estranha, até porque não dava para explicar devido ao limite de caracteres.
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